25 nov Oficina de Fotografia para jovens negras | Sob a Luz Ancestral
Oficina “Eu me vejo” — Fotografia, Identidade e Protagonismo na Semana da Consciência Negra
Por Gisele Olliotti
No dia 18 de novembro, vivi uma das experiências mais luminosas deste ano: conduzi a oficina “Eu me vejo – Fotografia e Autoexpressão para o Protagonismo Feminino Negro”, realizada no Colégio Capitão Deolindo como parte do meu projeto Sob a Luz Ancestral. A atividade integrou a programação da Semana da Consciência Negra e reuniu 30 jovens estudantes, que chegaram com curiosidade nos olhos e saíram com a alma acesa.
Foram três horas intensas, construídas em camadas, como uma fotografia bem exposta.
Começamos com teoria: falamos sobre luz, enquadramento, narrativa e sobretudo sobre olhar. A fotografia como espelho, como ferramenta de cura, como território onde a nossa história encontra forma, cor e corpo.
Depois seguimos para a prática, em um exercício externo que se transformou em celebração. As meninas fotografaram entre si, trocaram dúvidas, descobriram ângulos e possibilidades. Cada clique era um gesto de coragem, de afirmação, de descoberta do próprio brilho. Ver aquelas jovens se permitindo ocupar espaços com liberdade foi, para mim, um presente.
Finalizamos com uma roda de conversa calorosa, profunda e honesta, dessas que deixam marcas. Falamos de pertencimento, identidade negra e diversidade.
Convidei as meninas negras a reconhecerem seu valor e seu poder, e também chamei as meninas brancas a refletirem: como elas enxergam e tratam suas colegas negras? Que espaços ocupam? Que pontes podem construir?
Foi uma troca madura, sensível, necessária. E extremamente bonita de testemunhar.
Ao final, cada participante trouxe uma palavra para traduzir o que levava daquela vivência. Ouvi confiança, autoestima, coragem, alegria, amor. E ali, naquela ciranda de vozes jovens, percebi que plantamos algo grandioso: sementes que um dia se transformarão em mulheres seguras, conscientes e orgulhosas de suas histórias.
Agradeço profundamente à minha versão de 2024 que decidiu dar esse passo, ao meu companheiro que me apoiou e está sempre comigo.
Agradeço à Fundart pelo espaço e apoio através do edital. Graças a essa parceria, pude levar luz, acolhimento e potência para tantas jovens e mulheres negras, reafirmando o propósito do Sob a Luz Ancestral: iluminar caminhos, fortalecer identidades e criar futuros mais justos.
As fotos e vídeos da vivência estão anexos fiquem à vontade para divulgar, compartilhar e ampliar essa corrente de afeto e consciência.
Que essas imagens continuem espalhando vida.